Cura Dente
 
 
 

Minerais numa faixa

Além do cálcio, o fósforo na forma de fitato, constitui uma parte importante da estrutura rígida de dentes e ossos.

Alguns tecidos vegetais (as cascas de sementes, nozes, feijões e grãos) principalmente armazenam fósforo numa forma química chamada de ácido fítico (também conhecido como fitato, por exemplo quando presente como uma molécula de sal [falando-se quimicamente]).

Para “extrair” o fósforo preso à molécula de fitato, enzimas chamados fitases são necessárias, o que a maioria dos animais, inclusive seres humanos, não produzem naturalmente. Em outras palavras, o fósforo contido nesses alimentos, embora considerado saudável é, dependendo da fonte que você leia, “geralmente não disponível” ou “apenas numa razão de cerca de 50%" (faça sua escolha :-). Felizmente o fósforo é encontrado em quase todo alimento, já que é crucial a todos os organismos vivos (portanto, laticínios, peixes e carnes são ricas fontes, mas o fósforo também é encontrado no trigo, nozes, etc., portanto, comendo uma dieta variada deverá tipicamente prover quantias adequadas de fósforo biodisponível).

De consequência maior que sua “forte atração” pelo fósforo é o fato de que o ácido fítico também mostra uma forte capacidade de ligação a outros minerais essenciais como o cálcio, ferro, magnésio e zinco. Qualquer desses minerais ligados ao ácido fítico se torna insolúvel e portanto não absorvível durante sua passagem nos intestinos. Essa característica pode criar deficiências em minerais essenciais, se não forem ingeridas fontes adicionais de minerais, para compensar a perda ocorrida pela “ligação” ao ácido fítico.

Técnicas que auxiliam a reduzir o conteúdo de ácido fítico

Afortunadamente, várias preparações tradicionais de alimentos ajudam a reduzir o ácido fítico nos alimentos relacionados acima.

Para conseguir esse efeito, os melhores métodos são: germinação (que tem o benefício adicional de aumentar vários nutrientes), ácido lático e outras fementações (inclusive pão azedo e fermentado) e embebimento num meio ácido. Na verdade, uma flora intestinal saudável com lactobacilos probióticos e outras bactérias benéficas também pode ajudar. Esses organismos, dentre outras coisas, segundo uma fonte, produzem as enzimas fitáticas listadas acima, necessárias para liberação do fosfato do fitato. O cozimento e a cozedura dele, de alguma forma reduz o ácido fítico.

Noutras palavras, para se evitar perdas no processo digestivo, grãos integrais, por exemplo, podem ser consumidos mas preferivel e exclusivamente após sua germinação, sua fermentação e/ou cozimento.6

Pesquisa antiga: revertendo cáries dentárias pelo abandono dos grãos?

O Dr Herbert Shelton escreve que "investigações têm revelado que aquelas raças cujas dietas não incluem cereais têm dentes e bocas praticamente livres de qualquer tipo de doença"1. Tão cedo como nos anos 1920, pesquisa feita em crianças mostrou que uma conexão entre comer grãos e cavidades e a não ingestão de grãos e a cura de cárie dentária.

Para verificar se uma dieta baixa em cereais e alta em vitamina D curaria cárie dentária em curso (pois isso parecia possível após algum sucesso em pesquisa sobre a dentina secundária em cães), o pesquisador May Mellanby trabalhou com um grupo de 62 crianças com cárie em curso, separando-os em três grupos segundo a dieta, por período de seis meses. Enquanto que o primeiro grupo continuou com sua dieta normal mas enriquecida com mingau de aveia (rica fonte de ácido fítico), o segundo grupo recebeu sua dieta normal enriquecida com vitamina D e o terceiro grupo recebeu uma dieta sem grãos e com vitamina D.

Os resultados foram muito interessantes. O primeiro grupo continuou a desenvolver novas cáries. No segundo grupo, a adição de vitamina D fez com que a maioria das cáries desaparecessem, com formação de umas poucas novas cáries. O Grupo 3, que não comeu grãos (mas alguns alimentos adocicados!) enquanto que também recebia vitamina D suplementar apresentou os efeitos de cura mais dramáticos, com virtualmente todas as cáries não mais existentes e apenas umas poucas novas cáries formadas.

Se foi o conteúdo de ácido fítico “não mitigado” ou alguma outra característica do metabolismo dos grãos no corpo humano que levou o segundo grupo a apresentar benefícios terapêuticos menos dramáticos, em todo caso essa pesquisa merece ser mencionada (o original pode ser baixado – após registro gratuito – do site do British Medical Journal no endereço: http://www.bmj.com/cgi/reprint/2/3322/354).2

Ele também se ajusta a relatórios tais como esse aqui que relatam o desaparecimento de doença gengival, após o abandono de grãos e me faz lembrar de minha experiência pessoal que eu tive repetidas vezes após comer pratos com arroz integral ou macarrão integral: o que frequentemente ocorreu foi que uma camada distintamente desagradável se formou sobre meus dentes, após a refeição (o que eu raramente vivenciei ao comer outros alimentos).

De qualquer modo, como mostrado acima, há técnicas que permitem reduzir o conteúdo de ácido fítico em grãos e noutros alimentos que contêm fitatos. Assim, a não ser que você sinta que esteja certo para você pessoalmente, eu não abandonaria alimentos que, afinal, gabam-se de ter muitas qualidades nutricionais (além de culinárias).

Em verdade, cáries não podem ser apenas causadas pelo consumo de grãos com elevado teor de ácido fítico, podem também serem vistas do que se segue.

Em sua pesquisa por povos em todo o planeta que tiveram sucesso em conservar dentes e corpos saudáveis, o Dr. Weston A Price3 também estudou e incluiu como exemplo de saúde excelente comunidades gaulesas que vivem nas Ilhas Hébridas Exteriores (Costa da Escócia), que têm como um dos alimentos principais a aveia! Citação do livro de Price sobre Nutrition and Physical Degeneration [Degeneração Física e Nutrição], ao discutir a nutrição desses “gauleses isolados”:

"Os alimentos básicos desses ilhéus são o peixe e produtos de aveia, com um pouco de cevada. O grão de aveia é um dos cereais que se desenvolve com bastante rapidez, e ele provê o mingau e bolos de aveia, que em muitos lares são comidos de alguma forma com regularidade, em cada refeição."4

O eminente naturopata, o falecido Padre Thomas Haberle, considerava os flocos de aveia o alimento curador e os recomendava com veemência como um alimento básico. Ele escreveu, dentre outras coisas, "Dentes frouxos geralmente mostram uma carência de vitaminas. Tenha uma generosa ajuda de flocos de aveia todo dia e seus dentes tornar-se-ão firmes por si próprios."7

Vale também mencionar que o pioneiro em saúde dental natural, dentista Johann Georg Schnitzer, tem por base de sua dieta anti-cárie principalmente grãos consumidos crus e cozidos, como também em muito alimento cru.

Por último, mas de não menos importância em razão de sua validade, o Dr Ralph Steinman demonstrou em experimentos com ratos que a adição de trigo integral a uma dieta cariogênica ( dois-terços de trigo integral, um terço de dieta cariogência) diminuía dramaticamente (mas não erradicava) a incidência de cáries na população de ratos, enquanto que a adição de farinha branca não tinha efeito benéfico algum.5 Semelhantemente, ele criou seus três filhos com uma dieta com exclusivamente grãos integrais, leite, vegetais e frutas com quase nenhum açúcar e nenhum deles jamais teve uma cárie (enquanto que os dois pais que foram criados numa dieta convencional tinham a boca cheia de obturações).

Portanto talvez apenas numa dieta que possua itens desnaturados como açúcar (como as crianças do estudo acima consumiam) que os grãos proverão a palha que quebra o lombo do camelo? Talvez a combinação de grãos e açúcar (que tenho visto descrita como indutora de fermentação alcoólica nos intestinos) seja um dos mecanismos em funcionamento?

Ou talvez não seja a quantidade absoluta de ácido fítico ingerido, mas se está equilibrado com uma correspondentemente alta ingestão de minerais e vitamina D (i.e. Quanto mais fitato se ingere, tanto mais se deve assegurar o aumento da ingestão de minerais e vitamina D, para compensar a ação do fitato em minerais). Isso pode explicar a boa saúde dos pescadores irlandeses com sua alta ingestão de fitato, acima mencionado, que deveriam ingerir grandes quantidades de vitamina D e minerais, graças à sua dieta rica em alimentos marinhos.

Notas de pé de página

1 Compare Dr. Herbert Shelton sobre as verdadeiras causas da cárie dentária.

2 Interessantemente, várias descobertas de pesquisas similares foram publicadas em periódicos profissionais respeitáveis, décadas atrás, veja por exemplo o Journal of Dental Research [Jornal de Pesquisa Dentária] em http://jdr.sagepub.com/ que publica todas as edições desde Março de 1919. Isso faz pensar porque essas descobertas que nos dão poder nunca foram amplamente divulgadas para o público.

3 Ver Nutrição e saúde dentária e cáries: introdução & visão geral.

4 Além disso, o mingau de aveia é frequentemente mencionado como alimento básico por pessoas nos seus anos oitenta e acima.

5 CuraDente.com não apóia experimentos com animais. Muitas razões para isso estão sendo discutidas, por exemplo, nos sítios: Animal Experimentation Unscientific [Experimentação animal não é científica], On Differences Between Species [Sobre as Diferenças entre Espécies], Better Science: Benefits of Using Non-Animal Tests [Melhor Ciência: Benefícios dos Testes Realizados Sem Animais], The Harms to Humans from Animal Experimentation [Malefícios aos Humanos Decorrentes da Experimentação Animal] e Better Science: Limitations of Animal Tests [Melhor Ciência: Limitações dos Testes com Animais].

O Dr Steinman, entretanto, fez muita pesquisa em animais sobre cárie, cujos resultados parecem se aplicar plenamente aos seres humanos. Para detalhes veja Transporte do fluido dentinal - teoria revolucionária sobre resistência natural à cárie e cariogênese: pesquisa dos Drs. Steinman & Leonora pressupõe a resistência do hospedeiro como mais importante que as bactérias, como causa primordial de deterioração dentária.

6 Compare essa útil dica Cereal & pulses cooking tip [Dica para cozinhar cereais&legumes].

7 Mais sobre o erudito Padre Haeberle, um terapeuta natural de renome, e seu livros aqui [em inglês] (gire até Books on healing with cabbage leaf poultices [and much more]]) como também em Sobre o uso de óleo de oliva para extração a óleo.

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